A filha da putagem começa quando a pessoa sabe que você MORRE de ciúme dela, e ela ainda te provoca.


Just wanna shut the world a little and live without thinking about anything.


TODA GAROTA JÁ: Mentiu para a mãe, mentiu pro professor, tomou um banho de chuva, riu quando não pode, chorou até dormir, molhou a casa inteira porque esqueceu de pegar a toalha, riu de piadas super idiotas, se apaixonou, sofreu em silêncio, perdeu uma amizade importante, chorou por um carinha que lhe fez sofrer, teve cólica, ouviu várias vezes a mesma música no mesmo dia, tem como melhor consolo o chocolate… Garotas sempre iguais, mas ao mesmo tempo, tão diferentes…


  • Ele: Tudo bem?
  • Ela: Tudo...
  • Ele: Por que és sempre tão fria?
  • Ela: Não é sempre assim.
  • Ele: Quando você se desarma?
  • Ela: Quando estou sozinha.
  • Ele: Pra que isso?
  • Ela: Porque nenhum sofrimento necessita de uma plateia.



Passaram-se muitas estações desde a última carta escrita…
Ainda me recordo claramente tal dia: Eu via um pôr-do-sol avermelhado através de uma grande veneziana em uma biblioteca, o céu estava rosado devido o frio, se tonalizando com o lilás da noite que estava por vir, e meu coração se dilacerava em nostalgias espinhosas a cada letra eternizada no papel. Em mãos eu tinha um café muito doce e ainda quente demais pra se beber com pressa, que —talvez— fora o motivo de minha carta ter sido tão apaixonada e detalhada. O vapor subia, dando contraste ao cenário que meus olhos usavam pra se distrair. Escrevi uma carta grande, levantei, percorri os corredores vazios que ecoavam cada passo apressado dado, abri a grande e iluminada porta de vidro da saída, vomitei minha saudade pelos olhos, sequei-as, antes que denunciassem meu estado interno, e antes que eu me dirigisse ao metrô, rasguei a carta em oito pedaços. Rasguei na esperança que o passado fosse levado com o vento como aqueles pedaços de folha —que mais pareciam cacos de minha alma— sequei outra lágrima, apertei meu rosto com as mãos, olhei para o céu como quem clama em desespero a cura de uma chaga mortal, olhei para frente e parti; Ali acabou meu dia —e também o resto do ano.
[…]
Não é sempre que as palavras caem no papel de forma harmoniosa, e, mesmo que as inspirações viessem acalentar meus pensamentos, eu não escreveria. Ao escrever, minhas memórias se reacendem dentro de mim, me fragilizando mais do que é de meu agrado. Dizem que os olhos são as janelas da alma, mas se alguém realmente quiser saber sobre a saúde de minha alma, basta interpretar os meus textos com a mesma sintonia que eu os escrevi.
Pela janela eu via as folhas secas cadentes dançarem, trazendo o outono e todos os seus dias calmos. Vai-se embora o verão sem se despedir, e da mesma forma que veio sem ser bem-vindo, tal como o amor; Meu espírito nunca foi de dar boas vindas ao calor. Sinto que nele tudo é mais cansativo, mais passageiro, mais tedioso, e com certeza menos inspirador.
Os tempos frios vieram, e ironicamente o amor queimando torna saudade mais ardente. Incinera-me por dentro sem dó, enquanto minha pele se contrai com o frio das tardes solitárias, apenas lembrando de vidas que vivi com a pessoa mais linda desse mundo, a perfeição em carne, osso, e olhares famintos. Um corpo que parece ter sido modelado ao meu, dando o encaixe de um abraço perfeito. Cabelos negros como a noite, pele branca como a lua, olhos cintilantes como estrelas em fulgor […] Sinto tanta saudade de nós…
Vai-se outra estação, outras dores, outros pedaços de mim. A casa vazia assiste meu peito se rasgar. Fecho a janela, respiro fundo, choro um pouco, lembro, choro, lembro, choro… e durmo —na esperança de sonhar com você, e ali te ter pra mim.
Anndré. (via prisioneiro-da-morte)

  • Ele: Boa noite, pequena.
  • Ela: Boa noite.
  • Silêncio.
  • Ele: Já dormiu?
  • Ela: To quase. Porquê?
  • Ele: Nada.
  • Silêncio de novo.
  • Ele: Pequena?
  • Ela: Fala.
  • Ele: Você sabia que você foi a melhor coisa que já me aconteceu?
  • Ela: Ah, obrigada.
  • Silêncio de novo.
  • Ele: Ainda tá acordada?
  • Ela: TÔ, CARALHO. FALA LOGO.
  • Ele: Nada não, esqueci.
  • Ela: PORRA, ALÉM DE NÃO DEIXAR A GENTE DORMIR, AINDA É POR BESTEIRA. BOA NOITE.
  • Ela dorme e ele começa a rabiscar algumas palavras em um pedaço de papel enquanto uma lágrima escorre de seu rosto.
  • Ela acorda, vê o lado da cama vazio e um bilhete, parcialmente molhado.
  • "Bom dia, meu anjo. Dormiu bem? Espero que sim. Peço desculpas por ontem à noite, mas eu precisava ouvir sua voz antes de dormir. E hoje saí logo cedo, pra uma última caminhada no parque. Lembra que eu disse que fui ao médico há 6 anos, antes de nos conhecermos e ele diagnosticou câncer de laringe? Então, era verdade. Mas o que não te disse é que ele disse que eu tinha 6 anos de vida apenas. E lembra semana passada quando eu fui ao médico, tossindo muito? Ele disse que eu não passaria por essa noite. E lembra que você acordou várias vezes a semana toda comigo tossindo e cospindo sangue? Pois é. Era meu corpo avisando que eu tava no fim. Mas não queria te assustar. Antes de eu partir, espalhei pela casa algumas surpresas. Quero que tire o dia para encontrá-las. Te amo, meu amor. Para sempre".
  • Com lágrimas nos olhos, ela desce a escada, que estava coberta de margaridas, sua flor favorita. Chegando à sala, um filhote de cachorro com um lacinho no pescoço dormia no sofá. Havia um bilhete: "Sempre quisemos um filho, se lembra? Aqui está.". Ela fez carinho nele e foi à cozinha, chorando. Uma mesa de café da manhã montada: pães, patês, geléias, sucos, frutas, café... E uma foto dele na outra ponta da mesa, onde costumava se sentar. Um bilhete: "Tome um café comigo.". Depois de uma farta refeição, ela caminhou para o jardim. No banco onde costumavam se sentar e ver o pôr do sol, uma caixinha. Dentro, uma aliança com os dizeres "Sempre seu".